28.1.11

Seria Isso Um Programa apropriado para a Televisão Brasileira?

Nem preciso comentar o artigo abaixo. Só preciso divulgar, e é o que estou fazendo.
 
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BIG BROTHER BRASIL
(Luiz Fernando Veríssimo)
 
Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A  décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
 
Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos "heróis", como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...
 
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um "zoológico humano divertido" . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
 
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que  recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.
 
Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
 
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?
 
São esses nossos exemplos de heróis?
 
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..
 
Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.
 
Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
 
Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.
 
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.
 
E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
 
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
 
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
 
(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)
 
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
 
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.
 
Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.
 
Um abismo chama outro abismo.
 
 

20.1.11

Defensor da lei, ou Bandido?

 
Delegado bate em cadeirante em briga por vaga especial em São José dos Campos (SP)       
Que, 20 de Janeiro de 2011 15:25 
Um advogado cadeirante apanhou de um delegado em São José dos Campos (91 km de São Paulo), em briga por estacionamento em vaga pública reservada para pessoas com deficiência.
 
O advogado Anatole Magalhães Macedo Morandini, 35, diz que foi agredido com coronhadas.
 
Já o delegado Damasio Marino, por meio de seu advogado, afirma que não o bateu com arma de fogo, mas que lhe deu "dois tapas".
 
A briga começou quando Morandini flagrou o delegado, que não tem deficiência, estacionado na vaga especial, em frente a um cartório na região central de São José, e foi tomar satisfações.
 
"Ele [delegado] me chamou de aleijado filho da puta. Eu fiquei enojado, e a única coisa que consegui fazer foi cuspir no carro dele, porque me senti desrespeitado."
 
Ainda segundo Morandini, o delegado do 6º Distrito Policial da cidade, além de lhe dar coronhadas, também bateu em seu rosto com a ponta da arma.
 
Ele mostrou à reportagem uma camiseta com manchas de sangue, que diz ser consequência da agressão. Uma funcionária do cartório também diz que viu Morandini sangrando após a briga.
 
"Ele apontou a arma, fez mira. A única coisa que eu fiz foi virar o rosto devido ao trauma que já tenho", contou o advogado, referindo-se ao tiro que levou durante um assalto, aos 17 anos, e que o deixou paraplégico.
 
Já o defensor do delegado diz que ele é que foi intimidado e que estava parado na vaga especial porque sua mulher está grávida.
 
A corregedoria da Polícia Civil abriu inquérito para apurar a suspeita de lesão corporal dolosa (quando há intenção ou se assume o risco de cometer o crime).
 
OUTRO LADO
O advogado Luiz Antonio Lourenço da Silva, que representa o delegado Damasio Marino, negou que seu cliente tenha agredido com coronhadas o também advogado e cadeirante Anatole Magalhães Macedo Morandini.
 
Silva diz que Damasio deu "dois tapas" em Morandini, mas só depois de ser xingado e receber uma cusparada. Para Silva, "esse cadeirante procurou o confronto."
 
O advogado também negou que Damasio tenha xingado Morandini ao ser repreendido. Segundo Silva, o delegado reagiu após Morandini cuspir em sua cara.
 
"Ele [delegado] não entendeu o que estava acontecendo. Desceu do carro e o cara veio com a cadeira de rodas para cima dele. [Morandini] cuspiu de novo e o xingou, então ele [delegado] pegou e deu dois tapas no cara."
 
 
 
Fonte: Folha de S.Paulo (20/01/2011)
 
 
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Talvez esse seja o tratamento especial que o delegado geral da polícia civil determinou em uma portaria, no ano passado, 2010.
E o babaca ainda tenta minimizar a agressão, dizendo que "apenas" deu dois tapas na cara do deficiente... Apenas dois tapinhas, e afinal, como diz aquela pseudomúsica, "Um tapinha não dói, só um tapinha..."
Mas será que a funcionária do cartório está mentindo quando afirma que o deficiente estava sangrando após os "tapinhas"?
Será que o advogado do defensor da lei, o delegado, não tem vergonha na cara em inventar que seu cliente é que foi agredido? Ademais, o que um deficiente poderia fazer indo para cima do "defensor da lei" com sua cadeira de rodas? Será que a cadeira-de-rodas do deficiente está equipada com soco inglês, facas automáticas, pistolas, etc?
O pior de tudo isso, não é o fato da agressão em si, mas é saber que assim como tantos outros absurdos, mais este ficará impune, e o tal "defensor da lei", o delegado continuará ameaçando, agredindo, mentindo impunemente, porque certamente a corporação o defenderá, e a justiça, mais uma vez previsivelmente, agirá como sempre age nesses casos, com injustiça, fechando os olhos, afinal, a justiça é cega não é?
Se for verdade que a esposa desse ser abjeto esteja grávida, lamento pelo pequeno ser, que não escolheu ter um pai bandido. Delegado bandido, se não, me digam que nome se dá a alguém que agride e ameaça com arma de fogo um deficiente físico em uma cadeira-de-rodas?
 

"Isso aqui, é um pouquinho de Brasil"

8.11.10

Jornalista diz ser contra o cão-guia

Olá gente! há algum tempo não escrevo. Mas chegou a hora de mais um poust.
Abaixo, colo os argumentos - se é que se pode chamar isso de argumentos -, de um jornalista - se é que se pode chamar uma pessoa assim de jornalista -, explicando porque é contra o cão-guia... Abaixo desses argumentos, eu e um outro usuário de cão-guia rebatemos tais argumentos, e explicamos porque somos felizes usuários ou melhor, temos por companheiros e amigos, nossos cães-guia
Tudo foi retirado do blog do Beto Pereira
 
 

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Beto,
 
Descobri seu blog através de uma busca na internet sobre cães-guias. A partir de então, lhe sigo pelo Twitter e gostaria que você conhecesse um pouco de minha história.
Diferentemente de você, não sou deficiente visual, físico ou auditivo, nem sou portador de qualquer outra deficiência crônica, congênita ou adquirida. Tenho quase 30 anos, sou jornalista e convivo há cerca de um ano com um amigo cego que teria e tem à sua disposição oportunidade para se dar bem na vida do modo mais indolor, mas prefere seguir seus princípios e viver o máximo possível dentro da normalidade e realidade das outras pessoas. Antes de conhecê-lo, nunca vivenciei qualquer experiência ou relação com cegos, surdos ou paralíticos, exceto um primo distante, mas não convivia diariamente com este.
Pois bem. Esse meu amigo cego foi criado numa cidade do interior do Rio. Nasceu com baixa visão adquirida durante a gestação. A sua mãe teve toxoplasmose e foi apenas portadora da doença sem saber. Após ele, ela teve mais duas filhas, que nasceram sadias. Aos 18 anos, ele teve uma crise de sarampo que fez com que sua visão se perdesse completamente. Pois bem. Conhecendo um pouco de sua história de vida, percebi nele uma força de vontade e um desejo intenso de viver e lutar pelos seus direitos e deveres.
Um deles foi poder estudar. Após a crise de sarampo e consequente cegueira, ele ficou cerca de 10 anos sem poder estudar, já que não havia escolas preparadas para recebê-lo. Isso ele veio conseguir bem depois, na cidade do Rio de Janeiro. Ele fez supletivo para concluir o ensino médio, e estimulado pelos professores, tentou o vestibular em três instituições: Unirio, UFRJ e UFF. Nestas duas últimas, foi aprovado, mas preferiu cursar Letras/Latim na UFRJ. Ano passado, ele concluiu o bacharelado e ano que vem ele concluirá a licenciatura.
Eu o conheci por meio de um outro cego, que também morava numa instituição que abriga pessoas cegas e oferece diversos auxílios aos mesmos. Na ocasião, eu o levei ao Centro da cidade, e quando o visitei, conheci este de quem falo (o que estuda Letras). Tornei-me amigo dele e passamos a nos falar e nos conhecer cada vez mais. Desde o primeiro instante, nunca o tratei como coitado nem mesmo como cego. De acordo com o que ele mesmo me diz, sempre agi com naturalidade, como se já soubesse lidar com cegos, uma vez que nunca tive antes experiência parecida, o que lhe chamou a atenção.
No Rio, a vida dele se limitava aos estudos e a ir para casa (o abrigo onde morava). Quando nos conhecemos, passamos a ir à praia, aos shoppings, praças, lanchonetes, livrarias e realizar programas como qualquer pessoa faz. Sei que o cego é orientado pra se apoiar no ombro das pessoas ao caminhar, mas eu, devido ao laço de amizade que criei com ele, permiti que segurasse em meu antebraço para irmos a qualquer lugar. Meu desejo era que as pessoas vissem que o cego é uma pessoa como qualquer outra, mas com limitações que devem ser respeitadas, e que vissem o quanto ele é amado e querido por mim, que mais do que seu amigo, considero-me seu irmão. Hoje dividimos um apartamento, e diariamente, convivemos de forma amigável e respeitosa.
Ele também tem as mesmas opiniões que eu acerca disso tudo que narrei, e pode lhe confirmar cada letra, e por esta razão, eu venho me manifestar a respeito do uso de cães-guias para cegos que, ao contrário do que você e outros cegos defendem, não considero tão maravilhoso quanto se imagina.
A primeira objeção que faço é que o uso de cão-guia é um recurso caríssimo e restrito a uma parcela ínfima de outra minoria já existente, que são os deficientes visuais. Quantos cegos no Brasil têm condições de adquirir e sustentar um cão-guia?
A segunda objeção que faço é que, a meu ver, utilizar o animal para se dedicar quase que integralmente a uma atividade servil é uma verdadeira perversidade praticada contra a índole do bichinho. Você mesmo em seu blog menciona o que se deve ou não fazer com os mesmos quando estes estão conduzindo os seus donos. O cão deixa de ser um animal para ser uma máquina.
A terceira objeção é que, em minha opinião, um cão-guia para um cego não é sinônimo de independência, e sim de arrogância, de antissociabilidade e de autoexclusão. Ao mesmo tempo em que um cego deseja se incluir na sociedade e lutar por direitos, ele está se excluindo, se comportando de maneira arrogante em relação aos demais, denegrindo a imagem dos cegos e contribuindo para a sua estigmatização. Ou seja, você deixa de depender do ser humano, com quem você é capaz de interagir e se relacionar de forma recíproca para se relacionar com um ser inferior a você, que nada mais faz além daquilo que é próprio de sua natureza. Eu, se fosse cego, bem como este meu amigo que é cego, não nos sentiríamos bem, por exemplo, indo a um restaurante acompanhados de um cachorro. Estaríamos praticando um 'direito', mas expondo outras pessoas ao perigo de contágio com parasitas e outras doenças. O cão é limpinho? Sim, pode ser, mas o risco existe, de qualquer maneira. O ser humano pode se contaminar de outras formas? Claro que pode, mas não queira rebaixar o ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, ao nível dos cachorros, que apesar de amáveis, dóceis e graciosos, nada mais são do que animais, instintivos e só.
A quarta objeção é que pra mim a utilização de cão-guia afasta algumas pessoas de você. Muitas pessoas são alérgicas e/ou sentem medo de cães, e ficam receosas sobre o que eles podem ou não fazer, mesmo que você diga que o cão-guia é dócil e treinado. Você deixa de viver o seu mundo, o mundo humano, pra se relacionar com cachorros, animais. Ninguém é obrigado a gostar de cães, mas acho que de seres humanos, a pessoa deve se esforçar pelo menos para viver de forma harmoniosa. Eu já acho algo incoerente pessoas que gastam milhares de reais em petshop, mas são incapazes de fazer o bem a um morador de rua, uma criança, um idoso ou uma pessoa comum, mesmo não sendo especial. Pessoas que agem de tal forma, a meu ver, são mal resolvidas socialmente ou possuem algum tipo de trauma. E da mesma forma, não penso que seja tão 'cult', 'in' alguém utilizar cão-guia. Você tem esse direito? Ótimo pra você, mas penso que se o exercício desse direito gera ônus para outrem, isso não seja tão justo. Se você luta tanto por inclusão e geração de direitos para cegos e outras pessoas com deficiência, penso que o uso do cão-guia não deve ser uma bandeira a ser levantada e defendida como se fosse a única ou melhor alternativa pra inclusão do cego na sociedade, até porque a sua utilização é restrita à minoria dos deficientes visuais.
Ou você acha, por exemplo, que meu amigo em questão preferiria a companhia de um cachorro a de um outro amigo? Deixo que reflita sobre isso.
Um abraço!
 
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 Beto
em novembro 5th, 2010 @ 11:54
Prezado Marcel Victor Sousa
 
Primeiramente, grato por nos escrever.
 
Embora discorde de suas colocações, mas seja totalmente a favor da liberdade de opinião, faço questão de publicar seus comentários neste espaço, como também me dou o direito de contrapor algumas questões expostas por sua pessoa.
De início, parabéns por tão bonita amizade com seu amigo, e por sua postura que mesmo intuitiva para com ele e sua deficiência, dera tão bom resultado para ambos, porém devo lamentar que você enquanto um jornalista, se limite ao pequeno universo com o qual atua, quando temos uma diversidade na diversidade, dentre as milhões de pessoas com deficiência seja ela qual for.
 
Quando você fala que não considera a utilização do cão-guia tão maravilhosa quanto se imagina, entendo que cada pessoa tem todo o direito de concordar ou não com o que quer que seja, porém seu posicionamento que de início até me pareceu com respeito, ao longo de seu texto, chega à intolerância e discriminação, visto partir de uma pessoa que não vivencia as diversas nuances da inclusão e do acesso e que se norteia apenas por aquilo que observa à distância ou pelo contato com poucas pessoas com deficiência e não portadores , paralíticos, surdos ou cegos como você denomina, por que antes das deficiências, estão as pessoas, bem como o direito legal, moral e social, de suas escolhas, sem contudo serem rotuladas tuteladas ou discriminadas como você sugere.
 
Realmente a maioria das pessoas cegas não contam com a possibilidade de adquirir um cão-guia, fato que eu só tenho a lamentar, pois sei quantas destas mesmas milhares de pessoas com as quais mantenho contato por conta de minhas atividades, sonham com um. Agora você não acha leviano tentar fundamentar sua opinião falando dos que tem acesso ao cão-guia e dos que não o tem, quando infelizmente vivemos em uma sociedade de bilhões de pessoas cerceadas do acesso a moradia digna, do acesso a educação, cultura, alimentação e tantos outros direitos 'basilares' como você mesmo fala, enquanto você, eu e tantos outros continuamos sob um abrigo, estudando, lendo, indo ao shopping, teatro e nos alimentando? Então, qual seria a diferença entre ter e não ter, poder e não poder? Será que no caso em questão, seria apenas a deficiência? E, assim sendo, não seria este um grande preconceito de vossa parte?
 
Você comete um grande equívoco quando fala que o cão-guia deixa de ser um animal para ser uma máquina. Eu que estou a 4 anos com um, creio que tenha um pouco de legitimidade para afirmar que ele como outros cães são seres que tem vida, necessidades e pasme, possui muita sensibilidade ao ponto de estabelecer uma parceria incrível onde não há relação trabalhista como alguns imaginam, mas sim de cumplicidade, amor e respeito e de muita qualidade de vida para ambos. No mais, quando você diz que cão-guia para um cego não é sinônimo de independência, e sim de arrogância, de antissociabilidade e de auto-exclusão, eu diria que a arrogância e a antissociabilidade, estão, por vezes, veladas, por outras, nítidas em pessoas que sem nenhuma experiência pessoal ou qualquer embasamento rotulam e condenam opções alheias.
 
Em tempo, nem eu e nem qualquer outro usuário de cão-guia que eu conheça, tem por objetivo denegrir a imagem de colegas que optem pelo uso da bengala. Ainda contrapondo seus argumentos, temos sim: independência e muita autonomia. Além de sermos respeitados pela maioria da população que admira a interação homem e cão. Assim, essa interação com o cão, em nenhum instante restringe aproximação de outras pessoas conforme você coloca, mas ao contrário, potencializa e é dessa mesma relação a qual você tanto critica, que podemos viajar, jantar em restaurantes, sair em turma, fazer passeio com amigos, paquerar, etc.. Assim, quero aclarar que de forma alguma O cão-guia representa restrição, mas possibilidades!
 
Em suas exposições, primeiro você fala que transformamos cães em máquinas, depois diz que estamos nos relacionando com seres inferiores, contradições óbvias na tentativa de justificar o injustificável , ou seja, embasar sua opinião de que estamos equivocados em compartilhar e de testemunhar a alegria e a qualidade de vida com esses nossos amigos de 4 patas. Seguindo em seus argumentos, você entra na questão que rebaixamos o ser humano à imagem de um cão, que não é o caso, e fala que o ser humanno foi criado à imagem e semelhança de Deus, ao que penso que seja muita pretensão de sua parte, querer rebaixar Deus à imagem do ser humano, sobre tudo, de alguns que apresentam grande dificuldade para viver em grupo e por conseqüência com as diferenças e escolhas de outrem.
 
No mais, quando temos uma legislação que versa acerca do acesso, direitos e deveres do usuário de cão-guia, quando esses mesmos usuários adotam todas as medidas de assepsia, afirmações infundadas acerca de qualquer possibilidade de transmição de doença por sua utilização,é no mínimo apelar quando da ausência de argumentos plausíveis.
 
Como já coloquei em algumas oportunidades, eu não entro com meu cão-guia no carro ou vou há casa de um amigo que não simpatiza com a utilização desse recurso, porém quando falamos de um hotel, um restaurante, um transporte público ou qualquer outro local público ou privado de uso coletivo, prevalece o direito de ir e vir e o acesso de pessoas com qualquer deficiência que esteja utilizando dos recursos a ela necessários, e isso, é assegurado por lei, cabendo a quem não se sentir a vontade, o livre direito de se afastar se assim preferir.
 
Quando realizo palestras para pessoas com e sem deficiência, uma das questões fundantes que coloco, é o livre direito da pessoa escolher aquilo que melhor a atende no que concerne a qualidade de vida, e isso pode ser uma bengala, um cão-guia, um vídeo ampliador, um leitor de tela ou qualquer outro recurso que a satisfaça, pois sou pautado pelo respeito à escolha de cada um e estou convicto de que a independência, o caráter, a dignidade e a ética, perpassam estas questões de possibilidade e opções, mas nunca deixarei de dar meu testemunho pessoal do quão minha vida se transformou para melhor com a utilização de um cão-guia, embora pense que essa disputa que algumas pessoas tentam instigar entre bengala x cão-guia, é mastodonticamente improdutiva, à medida que um e outro não concorrem, como a pequeneza de alguns tentam fazer parecer.
 
Concluindo, chegará um dia que os aproximadamente oitenta usuários de cão-guia de nosso país, serão oitocentos e, mais à frente, quem sabe, oito mil. E ainda, sem que se diga que nós, deficiêntes visuais, não posssamos estar entre amigos por conta da utilização de nossos cães-guias, como vc tenta sugerir ou que este ou aquele recurso seja melhor que outro. Porque o importante é que estaremos sim, cada vez mais, compartilhando espaços comuns, exercitando cidadania, respeitando e convivendo com as diferenças entre os iguais já que todos fazemos parte da mesma espécie humana.
 

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 Marcos André Leandro
em novembro 6th, 2010 @ 18:16
Quero me dirigir ao nosso prezado Marcel Victor Sousa,
Para comentar e responder às abobrinhas que escreveu.
Eu ia rebater suas declarações preconceituosas ponto a ponto, mas o Beto Pereira, já fez isso com total
maestria e propriedade.
Só gostaria de reforçar cada palavra que ele falou, dando total apoio no que diz respeito à parceria entre homem e cão-guia.
Gostaria de dizer ainda, que você é no mínimo infeliz, quando diz que o cachorro se torna uma máquina, o que demonstra claramente que não entende absolutamente nada daquilo que está criticando. É lamentável que um jornalista haja assim, e tão levianamente exponha suas idéias preconceituosas, a cerca de um tema importante para uma classe. Ou seja, você mostra que não será um bom jornalista, porque é parcial, e não investiga um
tema antes de escrever sobre ele. Eu que nunca fiz faculdade de jornalismo, sei que os bons jornalistas são
obrigados a pesquisar todos os pontos de vista de uma matéria, antes de escrever, justamente para não
escrever tantas asneiras como você fez. Parece que não ensinaram isso na faculdade que você cursou.
Me responda, qual é o cachorro mais feliz, é aquele que está 24 horas com seu dono, que é para ele, o líder,
o superior, o pai? Ou será aquele que fica trancado em um quintal, ou mesmo em um apartamento minúsculo o dia
inteiro? Acho que nem preciso responder… Logo, máquina ele não é, porque máquina não demonstra felicidade.
e:\net\
Por vezes, saio sem levar meu cão-guia… E, me pergunte como ele fica? Respondo, fica triste. Ou você acha
que cães não possuem sentimentos, não sabem o que é tristeza nem alegria?
Você alega que o Beto diz o que se pode ou não fazer enquanto o cão-guia está em trabalho, para embasar sua
opinião de que o cão se torna um escravo… Me responda, quando você está trabalhando, gosta que seus colegas
fiquem brincando com você, mexendo nos seus papéis, ou coisa do tipo? Será que isso não tira sua atenção? Da
mesma forma tira a atenção do cão. Não porque ele seja uma máquina, novamente, isso prova justamente o
contrário.
O cão-guia, não é um escravo, é apenas e verdadeiramente, um cão que trabalha. Um cão que tem uma função útil
e real, que é a de guiar uma pessoa cega. Talvez fosse correto considerar que escravos e máquinas, são aqueles cães que ficam aprisionados em seus quintais, com a missão de espantar bandidos, e exposto a todo tipo de violência, seja dos vizinhos, seja de outros animais, seja das intempéries da natureza, etc…
O terceiro ponto das suas abobrinhas, nem vou comentar, porque você não é cego, e não sabe o que significa
independência enquanto pessoa cega. Faça um trabalho descente de jornalismo, e vivencie a realidade de um
cego, para depois escrever sobre isso. Coloque venda nos olhos, e tente andar sozinho, dependendo de outras
pessoas como você diz ser a maior maravilha do mundo. Use uma bengala para isso. Depois, faça o mesmo com um
cão-guia, e só então darei atenção à sua opinião preconceituosa, ainda que ela continue sendo parcial e
tendenciosa. Mas lembre, um bom jornalista, faria antes um curso de O.M., para poder usar corretamente a
bengala, e depois o cão-guia.
E, ainda neste tópico, uma opinião absolutamente pessoal: Deixar de me relacionar com um ser humano, para me
relacionar com um cachorro, acho que foi uma das melhores coisas que me aconteceu. O cachorro não é um ser
inferior como você diz. Um cachorro, jamais escreveria um artigo tão preconceituoso, um cachorro não atira em uma mulher
 
indefesa e depois joga o carro desta mulher ferida, dentro de um rio, para que morra sangrando e afogada, um
cachorro não esquarteja uma mulher e joga as partes para os seres humanos comerem, apenas para não pagar
pensão do próprio filho… Quem é mesmo inferior? Quem é mesmo imagem e semelhança de Deus?
Quem é que não trai sua natureza a não ser para ajudar a um outro ser, ainda que este não seja de sua própria
espécie? Repense meu caro, porque eu não tenho o menor orgulho de fazer parte disso que você chama de raça
superior. Prefiro infinitamente depender do meu cachorro sim!
E, só para finalizar, ninguém usuário de cão-guia, defende o uso do cão-guia como a única, muito menos como a
melhor alternativa de locomoção e independência do cego. Pelo contrário, os avessos ao cão-guia é que tentam
sistematicamente e sem fundamento, denegrir o uso do cão-guia, com as alegações mais estapafúrdias, como: "O
cão-guia é sujo", mas esquece-se de dizer que muitos cegos usuários de bengala, metem a bengala na merda, e
depois colocam, sem saber que está suja, a mesma bengala sobre a mesa de um restaurante, enquanto o cão-guia,
além de nunca pisar em merda nem deixar o seu dono pisar, fica sempre debaixo da mesa e nunca sobre esta.
Quanto a dizer que o cão-guia afasta algumas pessoas que possam ter medo ou alergia, certamente esta é a
única coisa que disse com coerência. Mas, quem tem alergia ao pelo de cachorro, tem a qualquer cachorro e não
apenas ao pelo do cão-guia. Portanto essas pessoas se afastarão não apenas do cego com cão-guia, mas se
afastarão de madames que estejam passeando no shopping com seu yorkshire, poodle, e até mesmo com um casaco
de pele. E os que tem medo ou não gostam de cachorro… Desculpe, mas quem não gosta de cachorro ou tem medo
de seres como esses que são além de treinados, visivelmente dóceis, realmente dessas pessoas, quero distância. Prefiro que se mantenham afastadas de mim.
Entre a companhia de um ser humano preconceituoso como você, e a do meu cão-guia, prefiro infinitamente a do
meu cão-guia.
No fim, acabei escrevendo demais. Mas não consigo ficar quieto quando leio tantas abobrinhas.
Abraços,
 
Marcos André Leandro
Usuário de cão-guia
E, infelizmente, ser humano.
 

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Sem mais o que comentar,
 
Marcos André Leandro
no twitter
@marcosaleandro
 

5.10.10

Empréstimos gratuitos de camas hospitalares e cadeiras de rodas

A informação é verdadeira. Eu mesmo, Marcos André Leandro, liguei no número de celular que consta abaixo, e falei com uma senhora que confirmou a informação e disse que já fazem isso há 21 anos.
Em princípio ela disse que para fora do Rio de Janeiro, não empresta porque o frete é caro e a pessoa não ia querer assumir o custo. Mas quando eu questionei mas se a pessoa pagar o frete pode fazer o empréstimo? Ela  confirmou que sim.
Então, de fato vale à pena divulgar.
Abraços,
 
Marcos André Leandro
 

Empréstimo: Camas hospitalares e cadeiras de rodas.
                   
                     Gratuito e EM TODO BRASIL!
 
Um ser humano muito especial, chamado Aroldo Mendonça, integrante do Rotary Clube, formou um banco de leitos hospitalares e cadeiras de rodas e os empresta, sem cobrar nada, só pedindo em troca a sua devolução, quando não é mais necessária. Ele é um anjo da guarda para muita gente.
 
Atualmente, o banco, conta com mais de 600 leitos espalhados por todo o Brasil, já que o Sr. Aroldo conserta e aceita doações das camas hospitalares e cadeiras de roda, mesmo quebradas, ele retira no local e leva para a sua oficina que é especializada nesse tipo de conserto; As doações são as propulsoras dos empréstimos e ajudam a mais e mais pessoas, todos os dias e em todos os pontos do país, sem pedir nada em troca..
 
O frete dos empréstimos fica por conta da pessoa interessada que faz uma espécie de contrato com o Sr. Aroldo por seis meses, sendo renovável por mais tempo, mediante a necessidade do prolongamento do uso do equipamento.
 
Caso precise, ligue para o Sr. Aroldo Mendonça:
(21) 2266-2501
(21) 2266-2501 ou
(21) 9636-8000  (21) 9636-8000
 
Vale divulgar, não é mesmo?
 
Passe para sua lista de contatos, de modo a chegar a quem precisa.
Se alguém conhecer pessoas ligadas a hospitais divulguem também.
Acredito que se você não precisa e pode ajudar, vai aí uma ótima causa! 

4.10.10

protesto à rádio 9 de julho.

    Vamos lá rádio-ouvintes, manifeste seu protesto! Assinem este e-mail e envie para:
 
 
    Diretor Padre José Renato Ferreira.
    Telefone da rádio: 3932-1600
 
    Observação: Não use responder à todos e sim envie direto para o e-mail acima!
 
    Vamos mostrar nossa insatisfação!
 

            PROTESTO

 

            Vimos protestar pela retirada do programa Espaço Alternativo do ar, pois entendemos que o mesmo tem a função de transformar idéias preconcebidas, preconceitos, mostrando a sociedade que uma pessoa com deficiência pode superar suas diferenças podendo assumir seu papel de cidadão na sociedade; Divulgando movimentos prol qualificação e inclusão das pessoas com deficiência, ofertas de vagas para trabalho, oportunidades de estudos, depoimentos de pessoas com deficiência que superaram suas diferenças dando estímulo para outras pessoas que hoje procura uma referência.

            Embora sempre fosse o dever das igrejas fazer sua parte de socialização das comunidades dando amparo aos menos favorecidos, e isto vem sendo muito bem feito quando paróquias se organizam para recolher produtos alimentícios fornecendo cestas básicas, encontros para casais dando a eles uma base atitudinal para que possam criar suas famílias com bons costumes e etc.

            Então,  lembramos da campanha da fraternidade do ano 2006: Levanta-te e venha para o meio! Tema maravilhoso em favor as pessoas com deficiência; Este programa Espaço alternativo no ar é uma maneira da igreja dar continuidade em sua proposta, não podemos nos esquecer que os fieis colaboram com a rádio 9 de julho, então nada mais justo que a rádio 9 de julho retorne prestando serviços em uma causa justa e muito digna apoiando as pessoas com deficiência, as pessoas da terceira idade dando a eles um espaço para se manifestarem suas necessidades e sensibilizar a sociedade quanto seus anseios de evolução; Sabemos que se as pessoas com deficiência conseguindo superar suas diferenças não é melhor somente para elas e sim melhor para todos, então poderemos ver um mundo muito melhor.

            Sabemos que para este programa estar no ar custa muito pouco para emissora, pois quem trabalha para fazer acontecer são voluntários; como Cristo tinha seus discípulos e sempre soube respeitá-los e sempre os valorizavam! Eis aí um discípulo da rádio 9 de julho: Edson Natale! Fazendo tudo com dedicação, carinho, assiduidade, embora sendo uma pessoa leiga renuncia ao bem estar de sua família aos finais de semana para estar trabalhando voluntariamente em benefício da humanidade!

            Como ficam os votos, juramentos feitos em uma ordenação vocacional?

            Como ouvintes participantes e colaboradores do programa Espaço alternativo desta emissora, esperamos sermos ouvidos! Queremos nosso programa Espaço alternativo no ar, a voz de seu discípulo, nosso porta-voz De direito!

            Obrigado!

 

Marcos André Leandro 7472-2398 RG.: 281171506

Grupo Amigos pra valer! 9594-9875, RG 10.266.111-x

José Vicente de Paula, 9594-9875, RG 10.266.111-x

Marilene Borges de Paula, 9594-9875. RG 7.700.097-3

 Estelita Albano. 6508-2121

Luzia Aparecida Ferreira.

Maria Nelza Morais.

Agnaldo Batista Torres.

Eva Martins.

Berenice Berenice de Paula Oliveira Sabino.

Sônia Bragante.

Maria da Paz Sales Quiróz.

Bernadete de Paula Oliveira Fonceca.

Geraldo Pinheiro da Foncecaq Filho.

José de Arimatéia de Oliveira.

Miguel Arcanjo de Paula Oliveira.

Jordino Sabino.

Ana Ronilda de moura.

Maria Izilda Lopes.

 



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